Quando falamos em cirurgia, todos pensamos imediatamente na técnica, no cirurgião, no hospital e no tipo de procedimento. Porém, existe um fator silencioso, muitas vezes subestimado e extremamente poderoso: o cigarro. Ele interfere em praticamente todas as etapas do processo de cicatrização e é um dos principais responsáveis por complicações que poderiam ter sido evitadas.
No consultório, não é raro ouvir alguém minimizando o impacto do fumo na própria saúde. Porém, quando o assunto é cirurgia, o cigarro assume proporções muito maiores. Neste artigo, vamos explicar de maneira clara a relação entre fumo e cicatrização, mostrando como a nicotina, o monóxido de carbono e os radicais livres comprometem a oxigenação dos tecidos, a formação de colágeno e a capacidade de regeneração da pele.
Se você tem vontade de fazer uma cirurgia plástica, seja para aumentar os seios, seja para fazer qualquer outra correção facial ou corporal, fique atenta a este artigo. Ele pode ser fundamental para o sucesso do seu procedimento. Confira!
Fumo e cicatrização: quais são os impactos no organismo?
O cigarro contém uma série de substâncias que impactam diversas funções do organismo. Por isso, elas também prejudicam o processo de cicatrização de diversas formas, como você verá a seguir:
1. A circulação sanguínea — o primeiro sistema a sofrer com o cigarro
A cicatrização começa e termina na microcirculação. É o sangue que leva oxigênio, nutrientes e células reparadoras até o local operado, para que as células tenham condição de se regenerar. O problema é que a nicotina tem efeito vasoconstritor, o que significa que ela literalmente contrai os vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo que deveria chegar aos tecidos.
Quando os vasos estão mais estreitos, chega menos oxigênio à ferida cirúrgica. Com menos oxigênio, a pele demora mais para se regenerar, o risco de abertura dos pontos aumenta e a recuperação deixa de ser previsível.
Em cirurgias que dependem muito da vascularização, como mamoplastias, abdominoplastias e lifting facial, essa redução no fluxo sanguíneo pode provocar desde necroses até cicatrizes mais grossas e irregulares. Portanto, a relação entre fumo e cicatrização —neste caso, a má cicatrização — é inegável.
2. Monóxido de carbono: o ladrão de oxigênio da cirurgia
Além da nicotina, o cigarro contém monóxido de carbono. Ele compete com o oxigênio no transporte dentro do sangue e, para ficar mais claro, vamos fazer uma analogia que todos entendem.
Pense que, no sangue, existe um carro que leva algumas substâncias para as células. Este carro é a hemoglobina. Porém, a hemoglobina só leva um passageiro de cada vez. Assim, se a pessoa faz uma cirurgia e precisa de muito oxigênio nos tecidos lesados, para a regeneração, é a hemoglobina que fará esse transporte.
No entanto, quando fumamos, o corpo recebe uma carga de monóxido de carbono. Este monóxido de carbono entra na fila do transporte. A hemoglobina, em vez de levar oxigênio em seu trajeto até a célula, começa a revezar. Em alguns momentos, leva oxigênio. Em outros, leva monóxido de carbono. O resultado é simples: o sangue circula, mas chega “pobre” ao tecido, impedindo a devida oxigenação e cicatrização.
Agora, some esse cenário ao do tópico anterior: a vasoconstrição faz com que menos sangue passe pelos vasos. Como se isso não bastasse, o pouco sangue que passa leva menos oxigênio. Esse é o caos que gera uma cicatrização lenta, frágil e instável.
3. Radicais livres: a inflamação que se torna inimiga
Fumar aumenta significativamente a produção de radicais livres. Embora uma certa quantidade seja natural no metabolismo, o excesso leva a um processo inflamatório constante e desregulado.
A inflamação controlada é parte essencial da cicatrização. Porém, quando ela ocorre de maneira exagerada ou caótica, como acontece em quem fuma, ela começa a danificar as próprias células que deveriam ser reparadas. O organismo tenta reconstruir o tecido, mas os radicais livres sabotam esse processo, causando inchaço prolongado, dor acima do esperado e atraso na formação da pele saudável.
4. Destruição do colágeno: o ápice da relação tóxica entre fumo e cicatrização
Outro ponto importante na relação negativa entre fumo e cicatrização é que o cigarro diminui a produção de colágeno e, ao mesmo tempo, acelera sua degradação. Isso afeta diretamente a qualidade da cicatriz. Sem colágeno suficiente, a pele cicatriza com menos firmeza, pode gerar cicatriz alargada, escura ou espessada e tende a ter uma aparência menos discreta.
Além disso, o colágeno é responsável pela sustentação da pele no pós-operatório. Quando a sua produção está comprometida, o corpo não consegue dar suporte adequado às áreas operadas, o que também aumenta o risco de deiscência (abertura dos pontos).
5. Risco aumentado de infecção: um obstáculo evitável
O corpo de quem fuma tem menor capacidade de defesa. As células responsáveis pela imunidade funcionam de forma mais lenta e menos eficaz. Isso significa que, em uma cirurgia, o risco de infecção é maior. Uma ferida infectada atrasa a cicatrização, aumenta a dor, exige medicamentos adicionais e pode comprometer o resultado final. Reduzir — ou parar — o fumo antes da cirurgia é uma das formas mais efetivas de diminuir esse risco.
Suspender o cigarro antes da cirurgia: por que essa decisão é tão inteligente?
Parar de fumar não melhora apenas a cicatrização por fora. Melhora por dentro, onde o paciente não vê: na força da sutura, na firmeza dos tecidos, na estabilidade da cicatriz e na segurança do pós-operatório. Para quem deseja um resultado bonito, seguro e duradouro, essa escolha faz diferença real.
O ideal é que a interrupção aconteça com algumas semanas de antecedência, porque o corpo precisa de tempo para reverter os efeitos da nicotina e do monóxido de carbono na circulação. Quanto mais cedo o paciente consegue interromper o hábito, mais rapidamente a microcirculação melhora, mais oxigênio volta a ser transportado e maior é a capacidade do organismo de produzir colágeno de qualidade.
O mesmo raciocínio se aplica ao pós-operatório, um período crítico em que o tecido recém-operado está se reorganizando e depende intensamente de oxigênio e colágeno. Insistir no cigarro nesse momento pode atrasar o processo que já está em andamento e comprometer os resultados. Não vale a pena fazer esta combinação de fumo e cicatrização.
Parar de fumar não é apenas um conselho: é uma estratégia concreta para garantir segurança, saúde e resultados melhores no pré e pós-operatório. Quem faz essa escolha chega à cirurgia com mais força, mais oxigênio, mais capacidade de regeneração e mais chance de ter uma cicatriz bonita e uma recuperação tranquila.
Fumo e cicatrização: principais dúvidas antes da cirurgia
1. O cigarro realmente prejudica a cicatrização?
Sim. Ele reduz o fluxo sanguíneo e dificulta a chegada de oxigênio aos tecidos, atrasando a recuperação.
2. Por que a nicotina atrapalha a cicatrização?
Porque ela causa vasoconstrição, estreitando os vasos e diminuindo a circulação sanguínea no local operado.
3. O monóxido de carbono também afeta o pós-operatório?
Sim. Ele ocupa o espaço do oxigênio no sangue, deixando os tecidos “mal oxigenados” no momento em que mais precisam.
4. Fumar aumenta o risco de necrose?
Aumenta. A má oxigenação causa sofrimento dos tecidos e pode levar à morte celular.
5. O cigarro interfere na produção de colágeno?
Sim. Ele prejudica o nosso “estoque” de colágeno de duas formas: reduz a produção de novas moléculas e ainda acelera a destruição do colágeno que já existe no corpo. Portanto, ele prejudica muito a qualidade da cicatriz.
6. Cicatrizes ficam piores em fumantes?
Tendem a ficar mais grossas, escuras, irregulares ou alargadas.
7. O fumo aumenta risco de infecção?
Sim. O sistema imunológico de fumantes responde mais lentamente, facilitando a entrada de bactérias.
8. Fumar facilita a abertura de pontos da cirurgia?
Sim. O tecido fica frágil e a sutura perde resistência. Não acontece em todos os casos, mas o risco é maior.
9. Quanto tempo antes da cirurgia devo parar de fumar?
O ideal é parar entre quatro e seis semanas antes, permitindo que a circulação se normalize.
10. Se eu parar só alguns dias antes, já ajuda?
Ajuda, mas pouco. O corpo precisa de tempo para eliminar os efeitos do cigarro e o ideal é parar pelo menos algumas semanas antes.
11. E no pós-operatório, quando posso voltar a fumar?
O recomendado é não fumar por pelo menos quatro semanas, período crítico em que a relação entre fumo e cicatrização pode causar um grande impacto na regeneração de tecidos.
12. Posso diminuir o cigarro ao invés de parar?
Não resolve. Mesmo pequenas quantidades já prejudicam a vascularização.
13. Cigarro eletrônico é permitido antes e depois de colocar silicone?
Não. Ele também contém nicotina e causa vasoconstrição.
14. Narguilé é menos prejudicial no pós-operatório da mamoplastia de aumento?
Não. Ele entrega nicotina e monóxido de carbono em grandes quantidades.
15. O cigarro atrapalha todas as cirurgias plásticas?
Sim, especialmente as que dependem altamente da vascularização, como mama, abdômen e face.
16. O resultado final melhora quando o paciente não fuma?
Melhora muito. A pele reage melhor, cicatriza mais rápido e forma cicatrizes mais discretas.
17. Vale a pena parar só para a cirurgia?
Vale. Mesmo que não seja definitivo, esse período já faz diferença real no resultado e na segurança.
Parar de fumar antes de qualquer cirurgia, inclusive a mamoplastia de aumento, não é apenas recomendado: é decisivo. Se você tem consciência disso, já tentou parar com o cigarro algumas vezes e foi vencida pela ansiedade, o Dr. Alfredo fez um vídeo que pode ajudar você. Assista ao vídeo completo em nosso canal do YouTube.







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